“Em Busca do Noivo-Rato”
Era uma vez uma ratinha, que por ser a primeira filha da família e já ter atingido certa idade, seus pais decidiram que era momento de escolher-lhe um noivo. Seus pais estavam decididos a encontrar o noivo mais poderoso de todo o universo, pois não aceitariam menos que isso para a sua filha, que era tão bela e de boas maneiras.
Então, um certo dia, seus pais vestiram-se muito bem e foram conversar com o Sol.
¾ Bom dia, Sr. Sol. Nossa filha mais velha está em idade de se casar e viemos oferecer-lhe sua mão em casamento, pois sabemos que o senhor é o ser mais poderoso do universo.
¾ Senhor e senhora Rato, pode-lhes parecer que eu seja o mais poderoso de todos, mas o Sr. Núvem, por exemplo, quando passa a minha frente, ofusca meu brilho. Creio que ele seja o ser mais poderoso do universo.
Então, os pais da ratinha saíram em busca do Sr. Núvem.
¾ Bom dia, Sr. Núvem. Nossa filha mais velha está em idade de se casar e viemos oferecer-lhe sua mão em casamento, pois o Sr. Sol nos disse que o senhor é o ser mais poderoso do universo.
¾ Senhor e senhora Rato, pode-lhes parecer que eu seja o mais poderoso de todos, mas o Sr. Vento, que parece inofensivo, quando sopra, leva-me para onde bem quiser. Creio que ele seja o ser mais poderoso do universo.
Novamente, decidiram ir em busca do mais poderoso e, desta vez, era o Sr. Vento.
¾ Bom dia, Sr. Vento. Nossa filha mais velha está em idade de se casar e viemos oferecer-lhe sua mão em casamento, pois o Sr. Núvem nos disse que o senhor é o ser mais poderoso do universo.
¾ Senhor e senhora Rato, pode-lhes parecer que eu seja o mais poderoso de todos, mas existe um imenso Buda de pedra que, por mais que eu sopre, ele nunca cede, cai ou se move. Creio que ele seja o ser mais poderoso do universo.
Mais uma vez, os pais da ratinha continuaram sua busca.
¾ Bom dia, Sr. Buda de pedra. Nossa filha mais velha está em idade de se casar e viemos oferecer-lhe sua mão em casamento, pois ouvimos dizer que o senhor é o ser mais poderoso do universo.
¾ Senhor e senhora Rato, pode-lhes parecer que eu seja o mais poderoso de todos, até porque eu não caio e não me movo. Porém, existe um pequeno ser, que apesar de pequeno, é o único que tem colocado em risco minha posição. É um ratinho jovem, que por algum tempo tem cavado e roído a base de minha estrutura. Seu poder sutil ainda me fará desmoronar. Posso afirmar-lhes com toda a certeza de que ele é o mais poderoso ser de todo o universo.
O senhor e senhora Rato ficaram imensamente felizes, pois finalmente perceberam que o noivo mais apropriado para sua adorável filha era um jovem rato. Conversaram com o jovem e naquele mesmo dia, ao entardecer, sua filha se casou com o ser mais poderoso do universo. Casou-se com aquele que havia provado seriedade e confiabilidade quando o assunto é ser um Rato de verdade.
Conto Coreano
“O Anjo que se Tornou um Boi”
Quando o planeta Terra foi criado, a terra era vazia. Não havia, plantas, árvores, ou vegetação alguma. O homem tinha uma vida muito dura e mesmo assim, não era capaz de produzir o suficiente para a sua própria alimentação. Às vezes, comia a cada três dias, às vezes, a cada cinco ou seis dias. Estava sempre faminto, embora trabalhasse dia e noite. A verdade é que o homem era digno de piedade.
O Imperador Celeste sentia muito pela dificuldade do homem, e além de desejar prover alimento, também desejava tornar o planeta mais bonito. Então, pensou por algum tempo e fez seu plano. Ele reuniu todos os seus anjos no palácio, e disse:
¾ Quem, dentre todos vocês, deseja me ajudar a levar alegria aos homens da Terra, que estão vivendo em terrível dificuldade?
Um dos anjos, chamado Kim Quang, rapidamente se fez voluntário e, com grande interesse, ofereceu concretizar o plano do Imperador Celeste.
Assim, O Imperador Celeste entregou a Kim Quang duas cestas pesadas, presas a ambos os lados de uma vara de bambu. Uma das cestas estava cheia de grãos de arroz e a outra, de grama. O Imperador instruiu Kim Quang a plantar primeiramente todos os grãos de arroz na terra, e o espaço que houvesse ficado vazio, deveria ser cultivado com a grama da outra cesta.
¾ Se você fizer exatamente o que lhe disse, eu te recompensarei. Mas, se você desobedecer minha ordem, eu certamente te punirei.
Kim Quang rapidamente concordou com as condições e seguiu em direção à Terra.
Chegando lá, ele plantou toda a grama, que cresceu bela e rapidamente pela superfície da Terra. Quando o anjo distraído se deu conta da ordem que havia recebido, já era tarde demais para reparar o dano, pois havia sobrado uma pequena área de campo para plantar os grãos de arroz.
Descobrindo o que havia acontecido na Terra, o Imperador Celeste irou-se com a incompetência de seu anjo. Então, com seus poderes mágicos, transformou Kim Quang em um búfalo, para que pudesse reparar o solo para o plantio. Ele prometeu ao búfalo que quando ele tivesse removido toda a grama do solo para que este fosse cultivado com alimento, ele poderia voltar aos Céus e tornar-se um anjo novamente.
Mas, aquele dia nunca chegou…
Conto do Vietnam
“A Fidelidade de um Tigre”
Dizem que essa história ocorreu no período em que o Vietnam era governado pela China. Neste período, alguns oficiais chineses tratavam os vietnamitas com grande crueldade, a ponto de tirar muitas vidas.
Le Minh, um oficial de alto escalão, cuja esposa e filhos haviam sido assassinados e seus soldados presos, foi forçado a se esconder na floresta para escapar da grande perseguição.
Le Minh construiu uma cabana no lugar mais desolado e selvagem da floresta. Ali, ele vivia sozinho em grande tristeza e profundo desespero. Ele sabia que nunca teria a oportunidade de se vingar.
Para que pudesse ganhar a vida, ele cortava madeira e a vendia. Todas as manhãs, ele pegava seu machado e adentrava a floresta para trabalhar. Após ter deixado sua cabana numa certa manhã, ele ouviu um terrível grito de agonia subitamente. Começou a procurar a fonte de tais gemidos e achou um tigre preso pelo peso de uma árvore que havia caído sobre ele. O animal tentava escapar mas, o tronco era pesado demais. Então, Le Minh cortou o tronco da árvore e libertou o pobre animal. Agora livre, o tigre virou-se para seu salvador e se curvou, em sinal de agradecimento, e se foi.
Na manhã seguinte, saindo para trabalhar, para sua grande surpresa, Le Minh encontrou à sua porta um carneiro e alguns coelhos mortos. Levou-os até o mercado e ganhou um bom dinheiro por eles. E a partir daquele dia, encontrava caças à sua porta todas as manhãs. O dinheiro que ele passou a ganhar com aqueles animais facilitou muito sua vida.
Uma certa manhã, para maior surpresa, além dos animais mortos, encontrou também alguns chineses mortos. Le Minh percebeu que alguém estava se vingando por ele e ficou muito feliz. Então ele saiu para enterrar os corpos, quando uma tropa de soldados chineses o avistou. Acusado de assassinato, Le Minh recebeu sua sentença de morte.
Naquela noite, o silêncio sombrio da floresta foi quebrado por um alto e agonizante grito. Mais uma vez, era o grito do tigre, mas desta vez, não por um mero acidente, mas porque seu benfeitor estava morto. Gentilmente, o tigre cavou uma sepultura e enterrou o corpo de seu amigo.
O tigre saiu à caça dos assassinos de Le Minh e destruiu todos eles. Enterrou-os ao lado de seu herói vietnamita. E assim, lealmente devolveu o gesto de salvação e de amizade prestados por Le Minh.
Então, a partir daquele dia, as pessoas que viviam naquela área ouviam o choro do tigre pela perda de seu benfeitor. Mas, um dia, o choro não mais foi escutado. O tigre havia morrido e seu corpo foi encontrado sobre o túmulo de seu herói Le Minh.
Conto Vietnamita
“O Coelho Branco de Inaba”
O deus que era Mestre da Grande Terra tinha oitenta irmãos, os quais também eram deuses. Todos os oitenta irmãos deixaram as terras do Mestre da Grande Terra, pois todos eles desejavam se casar com a Princesa Yakami, de Inaba. Então, juntos, sairam em sua jornada rumo a Inaba, colocando nas costas de seu meio-irmão, o deus Pessessor do Grande Nome, toda a sua bagagem.
Quando chegaram ao Cabo Keta, encontraram um coelho deitado, sem pele, e disseram a ele:
¾ Você deve se banhar nesta água do mar e depois deitar-se no topo da montanha para que o vento o seque.
O coelho seguiu as instruções dos deuses mas, quando a água do mar secou, o que restava de sua pele começou a fissurar, e o pobre coelho chorava em profunda dor. Mas o deus Possessor do Grande Nome, que carregava todo aquele peso, passou por último, vendo o pobre animal, perguntou:
¾ Por que você chora?
E o coelho respondeu:
¾ Eu estava na Ilha de Oki e desejava atravessar o mar até aqui, mas não havia meios. Por isso, enganei os crocodilos dizendo-lhes, “Vamos competir qual tribo tem maior número de animais. Vocês devem se alinhar até o Cabo Keta, formando uma fila, e eu pularei de um em um e lhe darei o número exato de membros. Assim, saberemos se há mais crocodilos em sua tribo do que coelhos na minha”. Então eles se alinharam e eu pulei sobre cada um deles. Quando eu estava chegando ao fim da linha, eu lhes disse, “Eu enganei vocês!” E o último crocodilo me pegou e dilacerou minha pele. Eu estava deitado, lamentando o ocorrido quando os oitenta deuses passaram e me disseram para banhar-me na água do mar e deitar-me ao vento. Eu fiz exatamente o que disseram, e agora estou aqui com meu corpo todo ferido!
Então, o deus Possessor do Grande Nome disse:
¾ Vá rapidamente até a nascente do rio e role de um lado para o outro e seu corpo será completamente restaurado.
E o coelho fez exatamente o que o deus o havia instruído. Aquele era o Coelho Branco de Inaba, o deus Coelho.
E o Coelho disse então ao deus Possessor do Grande Nome:
¾ Nenhum daqueles oitenta deuses se casará com a Princesa Yakami. Embora carregue a bagagem, será você que se casará com ela.
Neste mesmo instante, a Princesa Yakami respondia ao pedido dos oitenta deuses:
¾ Não me casarei com nenhum de vocês. Eu me casarei com o Possessor do Grande Nome.
Os oitenta deuses ficaram furiosos e decidiram acabar com o Possessor do Grande Nome. Chegando ao Monte Tema, eles disseram ao Possessor do Grande Nome:
¾ Nessa montanha, vive o gande javali vermelho. Nós iremos espantá-lo lá de cima e quando ele descer, você deverá segurá-lo. Se você não o fizer, nós acabaremos com a sua vida.
Assim dizendo, subiram ao topo da montanha, onde pegaram uma rocha em forma de javali, acenderam uma grande chama em volta dela e rolaram-na montanha abaixo.
Quando eles desceram, avistaram o Possessor do Grande Nome preso entre a rocha em chamas e uma árvore, e ele estava morto.
Em vista da grande atrocidade cometida ao bom deus, a Princesa Concha e a Princesa Ostra levaram água do mar e lavaram o corpo do deus. Ele se tornou um belíssimo jovem e se levantou.
Ao avistá-lo vivo, os oitenta deuses novamente enganaram o Possessor do Grande Nome, levando-o para as montanhas, onde o torturaram até a morte.
Seus pais, lamentando mais uma vez a morte de seu filho, devolveram-lhe a vida e disseram:
¾ Se você permanecer aqui, será mais uma vez destruído pelos oitenta deuses.
E mandaram-no rapidamente ao palácio do Príncipe da Grande Casa, na terra de Ki. Lá, os oitenta deuses tentaram destruí-lo, e por algum tempo continuaram tentando, mas falharam.
O Possessor do Grande Nome finalmente chegou à terra de Inaba e desposou a Princesa Yakami, que deu-lhe um filho, o deus da Boa Sorte.
Conto Japonês
“A Pupila do Dragão”
Durante a Dinasti Sung (1127-1279d.C.), viveu um dos três maiores pintores do reino de Liang, seu nome era Chiang. Como o Budismo era a religião prevalente daquele período, Chiang pintava, entre muitas outras coisas, murais nos templos budistas nas cidades do campo.
Um certo dia, Chiang visitou um famoso templo chamado Anlo Shih. O abade daquele templo, reconhecendo Chiang e já sabendo de sua fama, pediu que pintasse alguns murais para melhorar a aparência do templo e os visitantes se sentiriram mais atraídos ao lugar.
Em princípio, Chiang estava relutante em aceitar tal trabalho, mas o abade persistia tanto e eleogiava-lhe tanto, que Chiang finalmente concordou em fazê-lo.
Ele estudou minuciosamente as paredes do hall principal do templo e pintou um grande dragão em cada uma delas. Quando o trabalho havia terminado, os dragões pareciam tão reais que quem olhasse tinha a nítida impressão de que eles estavam realmente vivos. Seus focinhos abertos, chama e fumaça saiam de suas narinas, e parecia que com um grande grito, todos eles deixariam as paredes e ascenderiam aos céus. Todos os turistas e visitantes que por ali passavam, paravam para admirar tal arte, mas parecia que algo estava faltando. Parecia que Chiang havia se esquecido de pintar as pupilas dos dragões!
Então, as pessoas pediram que Chiang viesse completar a pintura, para que os dragões estivessem maravilhosamente completos em cada detalhe. Mas, para a surpresa de todos, Chiang negou o pedido e disse:
¾ Não é que eu esteja negando o seu pedido, a realidade é que se eu pintar as pupilas dos dragões, eles imediatamente sairão das paredes e ascenderão aos céus.
Mas as pessoas se recusavam acreditar naquilo, e achavam que ele estava sendo esnobe, deixando seu trabalho incompleto por detalhe de tal importância. Então, redobraram os pedidos, e com eles, os elogios. Com tantas palavras gloriosas, Chiang acabou por concordar. Pegou seu pincel e pintou as pupilas do primeiro dragão.
E aconteceu que não houve nem mesmo tempo suficiente para que o abade e os visitantes apreciacem o término do trabalho do artista. No momento em que os olhos do primeiro dragão foram pintados, aqueles mesmos olhos se moveram e o céu escureceu. Um grande trovão soou e o hall brilhou com a grande chama que saiu de suas narinas. O dragão saiu da parede e ascendeu às núvens, desaparecendo na imensidão dos céus!
Os outros três dragões, sem suas pupilas pintadas, permaneciam imóveis e silenciosos nas outras paredes. E não houve mais um pedido sequer para que se pintasse as pupilas deles.
“Qualquer que seja a criação, esta se define em um único ponto central. Uma vez alcançado o ponto, a criação ganha vida.”
Conto Chinês
“A Falsa Ingratidão da Serpente”
Há muito, muito tempo, houve uma grande inundação, tal como nunca havia sido vista. O rio Dedong transbordou e levou muitas casas em meio a correnteza. Os campos se transformaram em vastos lagos, os habitantes e seus animais pereceram.
Um senhor de idade em Pyongyang vinha remando em seu pequeno barco. No caminho, encontrou um carneiro em plena exaustão tentando nadar e conseguiu salvá-lo. Também encontrou uma serpente boiando, e trouxe-a para o interior de seu barco. Um pouco mais à frente, havia um menino nadando, que também foi trazido para o seu barco. Quando chegou em terra firme, soltou o carneiro e a serpente. O menino havia perdido pai e mãe na inundação, e o homem decidiu adotar o menino.
Um certo dia, o carneiro retornou e começou a puxar a manga da camisa do homem, tentando levá-lo a algum lugar. O homem seguiu o carneiro. Depois de algum tempo de caminhada, chegaram a uma rocha e o carneiro batia as batas contra ela. O homem imaginou que algo estivesse sob a rocha e começou a cavar. Ali estava enterrado um jarro repleto de ouro e prata. Então levou o jarro consigo, agora ele era um homem rico!
Seu filho adotivo cresceu e se tornou um homem arrogante, e começou a gastar dinheiro com extravagância. Embora tentasse advertir e educar o menino, ele respondia com grosserias e agressividade. O jovem decidiu que deveria morar sozinho, mas seu pai tentou impedi-lo. O jovem irou-se contra seu pai adotivo e foi às autoridades locais acusando seu pai de roubo, dizendo:
¾ Meu pai adotivo roubou uma fortuna e inventou uma história de que um carneiro havia lhe dado tal dinheiro. Ninguém acreditaria em tal absurdo!
O oficial foi à casa do homem e ouvindo a história de que o carneiro havia lhe mostrado um tesouro enterrado, levou o homem preso.
Aquele homem sabia que um dia teria de ser solto, pois ele não havia cometido crime algum, então passava os dias esperando que algo acontecesse.
Uma certa noite, a serpente que ele havia salvo da enchente foi à cela, picou o homem no braço e foi embora. O braço do homem inchou rapidamente sob o efeito do veneno e a dor se tornou insuportável. E ele dizia a si mesmo:
¾ Aquela serpente me pagou o bem que lhe fiz com o mal! Serpente ingrata!
Porém, pouco tempo depois, a serpente voltou à cela do homem carregando um recipiente. Ela aplicou o conteúdo no braço do homem e o inchaço se foi e a dor também passou. O homem estava curado! E mais uma vez a serpente desapareceu.
Pela manhã, o homem escutou uma grande comoção no lado de fora da cela. Ele ouviu que a esposa do oficial havia sido picada por uma serpente durante a noite e parecia estar morrendo pelo efeito do veneno. Então ele chamou o oficial e disse que tinha a cura para sua esposa. Ele foi levado até a casa do oficial e aplicou a loção no local da picada, e instantaneamente foi curada. Por gratidão, o oficial deu a liberdade ao homem.
O filho adotivo foi preso por suas mentiras e por sua ingratidão.
E assim, como o dócil carneiro, a misteriosa serpente encontrou uma forma de pagar o bem que aquele homem havia lhe feito com um gesto de grande gratidão.
Conto Coreano
“O Velho Cavalo Conhece o Caminho”
No período da Guerra dos Estados, o Reino de Shan-Yung invadiu o Reino de Yen.
Por ser amigo do Rei de Yen, o Príncipe de Chi mandou suas tropas para ajudar o Reino de Yen e salvar o povo da derrota. Com a junção das forças de Yen e Chi, o exército de Shan-Yung foi derrotado. Mas o Rei de Shan-Yung estava determinado a vencer aquela guerra. Ele pediu reforços de seu aliado, o Reino de Ku-Chu, para que pudesse se vingar, e recebeu os reforços. Mas os soldados de Ku-Chu também foram derrotados pela defesa de Yen e Chi.
Assim, o Rei de Ku-Chu nomeou Huang-Hua seu general e ordenou que fosse ao estado de Chi e oferecer a captura do Rei de Ku-Chu. O Príncipe de Chi ficou lisongeado com tal gesto e permitiu que seus soldados saíssem sob o comando do general Huang-Hua.
Então o general levou as tropas ao deserto de Han-hai, onde não havia vegetação alguma, não havia água ou uma criatura viva sequer. E, para piorar a situação, eles estavam no pico do inverno. Os soldados estavam fracos e gravemente debilitados pelo frio, e quando o Príncipe de Chi percebeu que algo estava errado, o general Huang-Huan desapareceu. Era noite, e decidiu planejar a próxima estratégia pela manhã.
Ao amanhecer, muitos soldados haviam morrido congelados durante a noite. Os que restaram perceberam que logo morreriam de frio ou de fome. As formas do deserto mudavam com o vento e não havia como encontrar o caminho de volta, já que nenhum deles havia estado ali antes.
Entre eles estava o primeiro ministro Kuan-chung, que lembrou-lhes do fato de que os cavalos são os animais que possuem a melhor memória dos caminhos por eles já percorridos. Nesta habilidade, dizia-se que eles ultrapassavam a mente humana muitas vezes.
Sem qualquer outra alternativa, o Príncipe de Chi concordou em deixar que os cavalos os levassem de volta. Soltaram as rédeas de todos os cavalos, e eles, como dito por Kuan-chung, guiaram as tropas de volta ao reino em segurança.
Ao chegar de volta ao reino, o Príncipe de Chi honrou o mais velho de todos os cavalos, que guiou a viagem, dizendo:
¾ Aprendemos com esse evento que até o mais velho e fraco dos animais possui suas virtudes e sua força. A virtude do cavalo está no fato de que não importa onde ele estiver ou até onde ele viajar, ele sempre se lembrará de onde veio e por quais caminhos trilhou. Por mais longe que este vá, ele sempre saberá quando e por onde voltar.
Conto Chinês
“O Carneiro que se Perdeu nas
Ramificações da Estrada”
O Período da Guerra entre os Estados na China foi um período em que muitos pensadores famosos viveram. Haviam inúmeros grandes sábios naquela época, e entre eles, Yang-chu, mais conhecido como Yang-tse.
Acontece que Yang-tse defendia a teoria do interesse e respeito próprio. Sua filosofia era oposta à de Mao-tse, seu comteporâneo, que defendia o amor universal altruísta e o conceito de benevolência. Yang-tse acreditava que cada pessoa devia muito a si mesma.
Outro contemporâneo, Mencius, criticava fortemente Yang-tse dizendo que Yang-tse não faria o mínimo esforço para tecer crítica alguma ao mundo. Entretanto, Yang-tse estava realmente enfatizando a importância da auto-estima e do interesse em si mesmo num sentido holístico.
A fábula que será contada aqui vem de seus escritos, os quais tiveram forte influência sobre Lao-tse.
Houve um dia em que um dos vizinhos de Yang-tse perdeu um de seus carneiros. O vizinho enviou todos os seus empregados em busca do carneiro, e ele mesmo os acompanhou. Quando soube do que se passava, Yang-tse ficou muito surpreso e disse ao vizinho:
¾ Você perdeu apenas um carneiro. Por que está mobilizando tanta gente para procurar um só animal?
E o vizinho respondeu:
¾ É porque há tantas bifurcações e ramificações que saem desta estrada que eu não sei qual delas ele poderia ter seguido. Assim, preciso mandar uma pessoa procurar em cada uma delas.
Yang-tse sentiu-se tocado e mandou seu próprio servo ajudá-los na busca pelo carneiro. Após um dia inteiro de busca sem resultados o servo voltou. Yang-tse perguntou-lhe se haviam achado o carneiro ou não. E o servo disse que não.
Yang-tse ficou ainda mais surpreso e perguntou:
¾ Como é que tantos homens podem sair em busca de um animal e não conseguirem achá-lo?
Seu servo respondeu:
¾ Além das muitas ramificações que saem da estrada que sai logo de frente da casa de nosso vizinho, há muitas ramificações que se originam de cada ramificação da estrada principal. É impossível prever qual caminho o carneiro seguiu. Assim, devemos voltar e procurar em cada um deles e cada vez mais longe devido ao tempo que ele já está perdido.
Yang-tse agora parecia estar profundamente conturbado. Ele caiu em silêncio e concentrou-se em seus pensamentos. Seus discípulos, tendo testemunhado o ocorrido, ficaram preocupados e decidiram ter com ele.
Mestre, é só um carneiro perdido, e ele nem mesmo é seu carneiro. Esse assunto não deveria tomar seu tempo ou se tornar uma preocupação para o senhor.
Yang-tse os encarou nos olhos e disse:
¾ Vocês não compreendem nada! O que me entristece não é o carneiro que se perdeu, mas as bifurcações que fizeram com que ele se perdesse, é para elas que dirijo o meu pensamento. O mesmo acontece com nossos objetos de estudo. Quando os seguimos, se nos faltar concentração e determinação, se nos faltar uma direção, buscando nosso conhecimento sem um objetivo claro, não seremos como o carneirinho que se perdeu nas ramificações da estrada? Não estaremos desperdiçãndo o tempo precioso de nossas vidas? E quando falo de nosso conhecimento e sabedoria, não devemos nos esforçar para atingir um objetivo grande demais, ou tentar obter muitas coisas ao mesmo tempo, pois, se assim o fizermos, havemos de nos perder assim como o pobre carneirinho, e ninguém conseguirá nos achar para nos trazer de volta.
Conto Chinês
“O Macaco Retribui uma Bondade”
Há muito tempo, numa vila de pescadores na ilha Kyushu ao sul do Japão, vivia contentemente um pescador muito esforçado e trabalhador com sua esposa e seu filho, que ainda era um bebê.
Um certo dia, quando a maré estava baixa, sua esposa colocou o bebê nas costas e saiu com suas vizinhas para recolher as conchas da praia. O tempo estava ótimo naquele dia, então a praia estava repleta de pessoas, todas em busca das conchas perfeitas.
Para facilitar seu trabalho, a esposa do pescador tirou o bebê das costas, deitou-o sobre um cobertor numa grande rocha e pediu ao filho de sua vizinha que o vigiasse. Agora que estava livre do peso do bebê, voltou ao trabalho.
Enquanto recolhia as conchas, ela percebeu que um macaco brincava na praia há alguma distância de onde estavam. Parecia ter vindo de alguma montanha da proximidade. Então disse a uma de suas vizinhas:
¾ Olhe aquele macaco ali. O que será que ele está fazendo? Vamos ver mais de perto!
Quando chegaram perto o suficiente, perceberam que uma grande concha havia se fechado numa das patas dele e ele lutava para se livrar dela. E a esposa do pescador disse:
¾ Ah! Agora entendi o que está acontecendo. Ele deve ter tentado tirar a carne de dentro da concha e esta se fechou em sua pata.
A cena era surpreendente, pois quanto mais o macaco tentava tirar a pata dali, mais a concha tentava se enterrar na areia. Algumas pessoas se aproximaram com pedras, decididas a matar o macaco, pois desprezavam tal animal, já que os macacos estragavam plantações e assustavam os animais das fazendas. Mas a esposa do pescador foi tocada pelo sofrimento do pobre animal e pediu que deixassem-no em paz.
Enquanto isso, a maré subia e ondas enormes começaram a estourar na praia, e muitas pessoas que recolhiam conchas foram embora para suas casas. Mas, a bondosa esposa do pescador ajudou o macaco até que se livrasse da concha, e sentida também pela concha, enterrou-a fundo na areia úmida. E disse ao macaco:
¾ Vou pedir a você que não mais roube de nossas fazendas.
Parecia que o animal havia entendido seu pedido, e mesmo assim, num segundo, ele pulou até a rocha onde estava o bebê da esposa do pescador, pegou-o com cobertor e tudo e correu em direção às montanhas.
A mulher ficou chocada com tamanho gesto de ingratidão. Enfurecida, ela gritava:
O macaco me retribuiu a bondade com maldade!
E corria atrás dele. Os vizinhos que ainda estavam ali começaram a criticá-la por ter poupado a vida do macaco.
Mesmo com o bebê em seus braços, o macaco corria tão rápido que ninguém conseguia alcançá-lo. Em meio aos prantos daquela mulher para que ele devolvesse o bebê, o macaco subiu numa árvore muito alta e chegou ao galho do topo. As pessoas cercaram a base da árvore, mas não havia nada que pudessem fazer. Um dos pescadores saiu em busca do pai do bebê.
Enquanto isso, o macaco segurava o bebê com seu braço direito e com o esquerdo segurava-se no galho e balançava para cima e para baixo. O bebê, sentindo-se incomodado, começou a chorar e a gritar. Sua mãe, lá embaixo, sentia que seu coração fosse parar de tanto desespero.
Neste momento, uma águia imensa começou a rondar o céu em volta da montanha. A preocupação daquelas pessoas agora era que a águia pudesse pegar o bebê. A mãe fechou os olhos e começou a pedir que Buda protegesse seu filho.
Quando a águia mergulhou em direção ao bebê, o macaco soltou o galho, que disparou em direção a cabeça da águia, que morreu instantaneamente. O enorme pássaro caiu no chão, e nesse momento o macaco repetiu o que havia feito, pois uma segunda águia mergulhava em direção ao bebê. No momento certo, o macaco fez o mesmo. E aconteceu que matou cinco águias da mesma forma. As pessoas do vilarejo assistiam espantadas àquela incrível luta, e finalmente compreenderam que enquanto o macaco lutava para se livrar da concha na praia, ele havia percebido que as águias sobrevoavam a rocha sobre a qual o bebê se deitava, portanto, assim que se livrou da concha, correu para salvar o bebê.
Uma vez terminada a batalha e o perigo fora de alcance, o macaco desceu da árvore e deitou o bebê aos pés da mãe, e voltou para o topo da árvore. Quando o pai do bebê chegou, tudo já havia sido resolvido, e as pessoas da vila se alegraram e comemoraram juntas o final feliz de uma história que parecia só poder ter um fim trágico, e voltaram às suas casas.
O pescador, por sua vez, obteve grande lucro com os mercadores locais, pois vendeu cada uma das penas das cinco águias que o macaco havia derrotado.
Conto Japonês
“O Galo Recebe uma Coroa Vermelha”
Numa terra longínqua, no extremo oeste da China, a tribo de Miao, das altas montanhas, assistem ao sol se por atrás das montanhas do Tibet, e enquanto as sombras se alongam pelos campos, eles se reúnem para escutar ao contador de histórias que conta e reconta as lendas da tribo.
Há muito, muito tempo, quando o mundo havia acabado de ser feito, estas terras tinham seis sóis brilhando nos céus! Porém, numa certa primavera, após os fazendeiros trabalharem arduamente para fazer o plantio, as chuvas se recusaram a vir em seu tempo, e os sóis acabaram por secar toda a plantação.
Naquela época, o grande Imperador Yao governava a China. Quando ele viu esse desastre natural, ele se entristeceu muito, e seus conselheiros disseram:
Se os seis sóis continuarem a brilhar dessa forma, nosso povo certamente morrerá.
E os seis sóis continuaram a se levantar todas as manhãs e a queimar as plantações.
Então, os dez sábios do vilarejo se reuniram para discutir o que haveria de ser feito. Ao meio da conversa, um dos sábios disse:
¾ A única solução é atirar e matar cada um deles.
O Imperador Yao ficou sabendo sobre tal resolução e mandou seus conselheiros reunirem os melhores arqueiros da região e trazê-los ao palácio. O que foi feito. Ali se reuniram os melhores e mais fortes arqueiros de toda a China, orgulhosos em poderem servir ao grande Imperador Yao.
O povo do vilarejo e os dez sábios se reuniram para assistir à demonstração de habilidade dos arqueiros, e assim que o Imperador chegou, eles lançaram suas flechas. Mas apesar de seus arcos serem grandes e suas flechas rápidas, nenhum deles conseguiu chegar sequer à metade da distância até os seis sóis causticantes que brilhavam nos céus.
Humildemente, os arqueiros aceitaram a impossibilidade de atingir os sóis com suas flechas.
Então, o Imperador Yao convocou o Príncipe Ho-Yi, que era conhecido como o melhor arqueiro de toda a China e propôs o desafio.
Mais uma vez, o povo se reuniu para assistir á demonstração da habilidade do arqueiro.
O Imperador ordenou:
¾ Lance as seis flechas e destrua os seis sóis para salvar o meu povo.
Naquele momento, o Príncipe Ho-Yi viu os seis sóis refletidos no lago e pensou, “Talvez eu possa destrui-los por seus reflexos, onde minhas flechas certamente alcançam”. E lançou a primeira flecha em direção ao reflexo do primeiro sol, que ao ser atingido, afundou nas águas do lago. E continuou a lançar suas flechas sobre o segundo, o terceiro, até que chegou ao quinto sol.
Quando o sexto sol se deu conta do que estava se passando, ele rapidamente desapareceu num monte ali próximo. Os dez sábios se deram por contentes que os seis sóis haviam sido destruídos, e as pessoas retornaram às suas casas.
Porém, quando as pessoas acordaram após uma longa noite de sono, não havia “dia seguinte”, pois o sexto sol ainda estava com medo e não sairia da caverna em que havia se escondido. Então, os dez sábios se reuniram novamente, na escuridão, para determinar o que poderia ser feito. Decidiram que achariam alguém que conseguisse trazer o sexto sol para fora da caverna para que pudesse haver o “dia seguinte”.
Primeiro, trouxeram o tigre para que rugisse em frente a caverna. O tigre rugiu, rugiu e rugiu, mas o sexto sol ficou enraivecido, pois de nada apreciava aquele rugido barulhento, e disse:
¾ Eu não vou sair!
Então levaram um boi, e o boi mugiu, mugiu e mugiu, mas agora, além de irritado, o sol começou a ficar deprimido com o mugido do boi, e disse:
¾ Eu não vou sair, e essa é a minha palavra final!
E também foram levados o carneiro, o macaco, o cão e o porco, mas todo o esforço parecia piorar a situação.
Por fim, decidiram levar um belo e forte galo para que cacarejasse. Quando o galo cantou, o sol disse:
¾ Mas que som adorável!
E saiu da caverna para ver que animal magnífico poderia produzir tal música para seus ouvidos. E ao sair, o sol brilhou mais uma vez, e as pessoas festejavam ao ver que o sol finalmente estava de volta ao horizonte.
O sol ficou tão lisonjeado com o canto do galo que ele mesmo confeccionou uma coroa vermelha para que ficasse ainda mais magnífico e majestoso.
E todas as manhãs, a partir daquele dia, o galo tem usado sua coroa vermelha para dar as boas vindas ao dia seguinte, cantando, e para que o sol se alegre e perca o medo de brilhar nas alturas mais uma vez.
Conto Chinês
“O Cão em sua Busca pela Luz”
Era uma vez, num mundo bem distante, havia um planeta chamado Terra da Escuridão. Como o nome mesmo diz, não havia luz alguma ali, e a noite era perpétua. As pessoas dali eram acostumadas à escuridão e tinham os sentidos da audição e do olfato muito desenvolvidos, também sua percepção espacial era muito aguçada. Mas a verdade era que apesar de conseguirem viver suas vidas sem luz, as pessoas eram muito infelizes e deprimidas. Estavam cansadas daquela escuridão infindável. E eles diziam:
¾ Como eu gostaria que houvesse luz!
¾ Ah, se tivéssemos dia e noite, e não só noite!
¾ A vida seria muito melhor se tivéssemos um pouco de luz!
É claro que o Rei da Terra da Escuridão também desejava a luz e começou a observar a Terra, que tinha seu sol e sua lua, portanto tinha luz ao dia e à noite. Pensou que por termos duas fontes de luz, levar uma delas para o seu mundo não nos faria tanta falta assim.
Acontece que na Terra da Escuridão havia uma imensa população de cães. Todos tinham um cão em casa, mas entre todos aqueles cães, havia um que era excepcional. Esse cão era grande, forte, de pelos espessos e de uma inteligência fora do comum. Além de todas essas qualidades, ele também possuía um focinho gigantesco. E seu focinho não só era gigante, como também suportava o contato com extremo frio e extremo calor. Aquele cão carregava em seu focinho até mesmo bolas de fogo, e por isso, seu nome era Bola de Fogo. O Bola de Fogo também era dotado das quatro patas mais ágeis de todo o planeta, e corria milhares de milhas num piscar de olhos.
Um certo dia, o Rei teve uma idéia, “Vou mandar o Bola de Fogo à Terra dos Homens para trazer aquele sol para o nosso mundo”. E assim o fez.
O povo já festejava a vitória do Bola de Fogo antes mesmo de ele partir em sua jornada. E assim que os preparativos foram feitos, Bola de Fogo partiu. A jornada era longa e o cão não parou sequer para descansar, e em pouco mais de dois anos, chegou ao sol.
Bola de Fogo abriu seu enorme focinho e cravou seus dentes no sol, tentando arrancá-lo do nosso céu. Mas ele simplesmente não conseguiu suportar tal calor por muito tempo. Humilhado, retornou ao seu mundo.
O Rei pensou, “Se o sol é quente demais para o Bola de Fogo, talvez a lua seja possível. E mandou Bola de Fogo buscar a lua. E Bola de Fogo voltou, confiante de que a lua ele conseguiria trazer, feliz em poder ajudar o povo de seu mundo.
Quando chegou à lua, cravou seus dentes e tentou arrancá-la de nosso céu, mas a lua era fria demais e seu corpo não suportava tamanho frio. Então cuspiu a lua de volta e voltou ao seu mundo, mais uma vez, derrotado.
Quando o Rei viu que ele havia falhado mais uma vez, ficou muito desapontado, mas não desistiu da idéia de que Bola de Fogo seria o único capaz de atingir seu objetivo.
E Bola de Fogo continuou, vez após vez, a voltar ao sol e depois à lua, tentando levá-los ao seu mundo para alegrar seu povo e agradar ao seu Rei, mas todas as tentativas foram em vão. Aliás, até hoje, Bola de Fogo continua viajando os céus e abocanhando a lua e o sol. Hoje, ele está velho, já não é tão forte ou veloz como um dia foi, mas ele não desiste. E cada vez que Bola de Fogo crava seus dentes com seu enorme focinho no sol ou na lua, um eclipse acontece. Por poucos instantes, ele sente que sua lealdade será recompensada, mas a dor é tamanha que a preservação de sua própria vida entra em jogo. E ele sabe que sua vida é importante e a preza por saber que um dia ele conseguirá honrar o pedido de seu Rei e levar a luz ao seu tão amado povo – Bola de Fogo é um verdadeiro herói.
Conto Koreano
“O Porco que Era Esperto Demais”
Era uma vez, muito tempo atrás, vivia na vila de Tsan-yang um senhor chamado Li. Todos o chamavam de Li Tai-yeh, ou Grande Mestre, pois ele era o homem mais rico da região. Sua fazenda era gigantesca e sua casa tinha cem aposentos e um enorme jardim. Ninguém tinha a mínima inveja dele, pois Li Tai-yeh, diferente da maioria das pessoas ricas, era muito generoso com sua riqueza. Seu amor por animais era bem conhecido na redondeza e os animais devolviam todo aquele amor a ele.
Com o tempo, Li Tai-yeh passou a ter um grande número de animais e muitos tipos deles em sua fazenda. Alguns foram comprados de mercadores, mas a maioria passava por sua fazenda e por serem bem alimentados acabavam ficando. Li Tai-yeh nunca pediu nada em retorno, ele simplesmente cuidava dos animais por amor. Mas acontece que instintivamente, os animais sentiam a necessidade de ajudá-lo em tudo o que pudessem.
O cão negro ficava de guarda e protegia a fazenda de qualquer estranho que se aproximasse. O grande galo sempre acordava os trabalhadores pela manhã, fizesse sol ou chuva, ele estava lá pontual cumprindo seu dever. O gato-do-mato, que tinha listras amarelas e pretas, era chamado de Pequeno Tigre. Ele tinha uma alma independente e passava o dia passeando pela fazenda, mas à noite, ele protegia a casa dos ratos. O cavalo levava o filho de Li para a escola, o boi puxava a carroça e o carneiro retirava o capim que crescia entre as plantações de arroz. Todos eles ajudavam com muita dedicação e ficavam contentes em poder retribuir os bons cuidados de Li. Quer dizer, todos, com exceção do porco.
Este porco era um animal esperto chamado Chu Lao-erh. Ele observava o que acontecia ao seu redor e pensava, “Já que todos estão trabalhando menos eu e o mestre continua a me alimentar, por que eu deveria trabalhar? Ele não me pede para fazer nada, então eu vou mesmo é continuar comendo e descansando.”
Então, Chu Lao-erh comia o dia todo, rolava na lama e ficava imundo e fedorento para que nenhum animal ousasse se aproximar dele. Todos os dias, ele dormia até o meio-dia, bem a hora do seu imenso almoço. Comia até não poder mais e cochilava até a hora do jantar. E após o jantar, dormia até o dia seguinte.
Vez ou outra, algum animal se aproximava dele e dizia:
¾ Por que você não se levanta e faz algo de útil? Você deveria perder peso, você está muito gordo.
Mas Chu Lao-erh fingia que não estava entendendo o que estavam dizendo e ficava sem responder. Ele gemia, virava para o outro lado e dormia de novo.
Como resultado, Chu Lao-erh ficou tão gordo, mas tão gordo que, mesmo se quisesse trabalhar, não conseguiria. Às vezes, até para comer se sentia cansado. Começou a reclamar que sua comida não era bem preparada, não chegava na hora certa. Como se sabe, reclamações sempre trazem algum resultado.
As pessoas da fazenda passaram a achar que o porco não estava se sentindo bem por causa da comida e começaram a preparar melhores alimentos para ele. Mas enquanto isso, o vizinho de Li visitou a fazenda e viu o porco. E disse a Li:
¾ Este porco não faz nada para você! Ele é completamente inútil! Eu troco oito patos com você por este porco. Pelo menos os patos te darão ovos.
Li ficou triste, pois sabia que a família de seu vizinho era muito pobre e não conseguiria dar ao seu porco o mesmo tipo de alimentação. Mas entregou o porco ao vizinho.
Seu vizinho amarrou Chu Lao-erh e com ajuda de mais duas pessoas, levou-o ao mercado. Era inverno e as pessoas pagavam muito pela gordura do porco, e Chu Lao-erh rendeu-lhe muito dinheiro para cuidar de sua família.
“Tsung-ming pei tsung-ming wu”, ou, “Os espertos geralmente caem nas armadilhas de sua própria esperteza”.
Conto Chinês